CORINGAVÍRUS*, ou "Ora et Labora"**.


O mundo todo anda alarmado com a ameaça desse tal vírus. Como não sou da área da saúde, não falarei nada sobre a gravidade biológica dessa ameaça.

Quero chamar atenção para outros desdobramentos dessa crise mundial: os impactos financeiros e políticos.

Muitas famílias -- mas muitas mesmo – vendem o almoço pra comprar a janta e não podem se dar ao luxo de entrar em quarentena com portas comerciais fechadas, atividades de lazer suspensas, escolas paradas, etc. Qualquer empresário, autônomo, ou profissional liberal, que não tenha um fundo de reserva neste momento, está ferrado. E, acredite, são muitos.

Bastaria um mês de portas fechadas para vermos uma retração gigantesca nas micro e pequenas empresas. Os poucos que sobreviverão deixarão de investir, ou entrarão em juros bancários para não falir. Catástrofe na classe média-baixa, bom para os banqueiros.

Com a economia atacada e o sistema de saúde sobrecarregado, as implicações políticas já começam a aparecer. Um povo sem pão, circo e neosaldina procura a todo momento um bode expiatório para chamar de seu. E é aqui que a estrutura política balança.

Em ano de eleições municipais, todo passo em falso será aproveitado da maneira mais sórdida possível e a crise de histeria viral se torna um mero instrumento de manipulação de massas nesse volúvel tabuleiro. Todos tentarão "lucrar" politicamente com a crise, um culpando o outro, num círculo vicioso que, no bem da verdade, pouco importa para o pai de família que está falindo já no início da quarentena.

O caldeirão está posto, meus caros, e a chapa começa a esquentar. Se vocês acham que a gripe é o inimigo principal, não entenderam ainda como é sangrenta a arena da disputa pelo poder.

CAUTELA, povo meu! CAUTELA!

Não houve o que fazer pra conter a histeria. O que nos resta agora é ORAR. Sim, ORAR A DEUS. Como nunca antes e como sempre deve ser.

Nossa fé está sendo testada e os peregrinos nessa terra seguirão escondidos na sombra do Altíssimo.

Lembrei-me de minha avó que, lendo a bíblia, deixou o analfabetismo. Lembrei-me duma noite qualquer há mais de 15 anos atrás quando, sentada em sua cama, lia ela para mim o Salmo 91, mostrando tanto sua leitura quanto sua fé. Todos os dias se ajoelhava com o véu na cabeça para orar pelos filhos e netos sem juízo.

ORE, meu irmão e minha irmã. ORE! Pois Ele é nossa porção. Tenha o viver como Cristo e o morrer como lucro. Proteja quem está fisicamente vulnerável, mas não se esqueça de quem está financeiramente vulnerável e nem do seu país que está politicamente vulnerável.

ORA et LABORA.

Não há mais o que dizer.

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*Texto originalmente postado no meu perfil pessoal do Facebook no dia 17/03/2020.
**Reedição no dia 25/03/2020, com modificações pontuais após uma semana de observação social.

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