Inimigo Invisível

Antes de se definir estratégias de combate a determinado inimigo é preciso conhecer o inimigo que se combate.

Pouco se tem falado sobre a natureza e as características do vírus COVID-19, mas muito se discute sobre a melhor forma de combatê-lo.

Até que apareceu um virologista ontem pra ser entrevistado no programa Roda Viva da TV Cultura. Foi a primeira vez que vi um especialista no objeto do debate e não nas circunstâncias do objeto. Confesso que peguei o programa pela metade, mas, pra minha decepção, a maior parte do que vi foram discussões diversas sobre as medidas de combate que nos obrigam a agir dessa ou daquela forma, e muito pouco sobre o motivo, ou seja, sobre as características do objeto combatido, que leva a determinado tipo de medida.

O ápice da decepção foi, quando indagado sobre as medidas preventivas durante o carnaval, o virologista afirmou que não existiam informações que justificassem o mero desencorajamento à realização do evento. Nesse momento, peço licença ao leitor para uma expressão de indignação:

“Ô imbecil, qualquer quadrúpede sabe que o carnaval é um centro epidêmico de qualquer doença transmissível pelo contato humano, tanto mais de uma doença viral.”

Custava o rapazola ter dado uma aula de virologia e infectologia? Mas, não! O ego dessa gente é tão inflado que até aposta -- veja bem, APOSTA! Esse foi o termo usado na conversa, como se os interlocutores estivessem falando de uma corrida de cavalos -- se deu o direito de fazer.

Tenho visto em minhas pesquisas pessoais que as variáveis em torno de um surto viral, ou seja, as circunstâncias às quais o vírus está sujeito, são diversas e vão muito além da disputa de poder que os influenciadores tentam emplacar -- e da qual nosso célebre especialista se fez fantoche durante a entrevista. Biologia, Geografia e Sociologia se misturam em questões biogeográficas e sociogeográficas, bioeconômicas e socioeconômicas. Acabei descobrindo que até questões genéticas influenciam na diferença do impacto viral entre este ou aquele país. Temos ainda todas as questões de Medicina, com desdobramentos tanto biológicos quanto econômicos. Além, é claro, do playground midiático: as questões políticas se desdobrando em geopolítica, sociopolítica, biopolitíca.

Quais as chances de um virologista ser também especialista em todas estas outras questões?

Custava ter dado a aula que tornaria visível o inimigo comum? Ou será que custou ter mantido o inimigo indecifrável?

Não bastasse a guerra contra o vírus, vivemos também a guerra pela esteriotipação do inimigo real e comum, para que este sirva de aglutinação em torno do inimigo político de alguns.

Felizmente, em meio ao caos contra um inimigo, por hora, invisível, temos revelado em Cristo nosso Defensor, também por hora, invisível. Aquele que na carta de Paulo aos Colossenses é nomeado como “a Imagem do Deus invisível” nos prometeu no Evangelho de Lucas que “...nada há encoberto, que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser conhecido.”

Temei e tremei, ó dominadores do mundo, pretensos governadores das nações, pois “...tudo o que em trevas dissestes, à luz será ouvido; e o que falaste ao ouvido no gabinete, dos eirados será apregoado.”

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